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Células-tronco adultas recriam sistema imunológico de ratos

WASHINGTON (Reuters) - Células-tronco adultas tiradas da medula óssea conseguiram reconstruir os sistemas imunológicos e a medula óssea de ratos, que haviam sido destruídos pela radiação, disseram cientistas na segunda-feira. As células-tronco também conseguem dar origem a células cerebrais e do fígado, segundo o estudo.

As células-tronco adultas estudadas cresceram quase indefinidamente em laboratório e têm muitas outras propriedades valiosas em comum com as polêmicas células-tronco embrionárias, disseram Catherine Verfaillie, da Universidade de Minnesota, e sua equipe.

"As células não só sobreviveram quando transplantadas mas repovoaram completamente o sistema sanguíneo dos animais", disse Verfaillie.

Os pesquisadores, que publicaram os resultados no Journal of Experimental Medicine, disseram que as conclusões sugerem que as células-tronco adultas possam ser manipuladas e regenerar uma série de células e tecidos danificados no corpo.

Essas células são chamadas células progenitoras pluripotentes adultas, ou MAPC, e sua descoberta, em 2001, causou furor entre os adversários das pesquisas com células-tronco embrionárias. Para eles, a descoberta provava que os cientistas não precisam destruir embriões humanos para regenerar tecidos e órgãos com as células-tronco.

A maioria dos especialistas, incluindo Verfaillie, porém, rejeitam esse argumento. "Minha pesquisa vem sendo usada de forma equivocada o tempo todo. Há uma enorme razão para que continuemos estudando as células-tronco embrionárias", disse a pesquisadora numa entrevista por telefone.

Na semana passada, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou a expansão do financiamento federal a pesquisas com células-tronco embrionárias, e o Senado também deve aprovar a medida. Mas o presidente George W. Bush, que é contra esse tipo de pesquisa, já prometeu vetar o projeto de novo, como já fez em julho.

A Casa Branca emitiu um relatório dizendo que trabalhos como o de Verfaillie tornam a pesquisa com células-tronco embrionárias desnecessária.

Verfaillie e outros especialistas citados no documento disse que são necessários experimentos com todo tipo de célula-tronco, e que o financiamento federal e uma boa fiscalização são as melhores maneiras de avançar nesse campo.

As células-tronco são as células mestras do corpo. Dependendo do quão desenvolvidas estejam, podem gerar todo tipo de célula ou tecido ou uma determinada família de células. Células-tronco neurais, por exemplo, podem produzir vários tipos de neurônios, enquanto células-tronco hematopoiéticas formam células do sangue, do sistema imunológico e da medula óssea.

As MAPC de Verfaillie são mais potentes que as células-tronco hematopoiéticas. "Os cientistas precisam entender agora que as MAPC são capazes de produzir sangue normal, e precisamos explorar como elas fazem isso", disse Irving Weissman, da Universidade de Stanford, que era cético quanto à pesquisa de Verfaillie mas que colaborou no estudo.

Células como essa podem recuperar sistemas imunológicos danificados, tratar cânceres sanguíneos como a leucemia e ajudar pacientes transplantados, "enganando" seus sistemas imunológicos.

E há evidências de que as células possam ser usadas para criar artérias totalmente novas, disseram os pesquisadores. "Podemos conseguir uma maneira de criar artérias numa placa de laboratório com uma população de uma única célula", disse ela.

A cientista não entendeu ainda como as células são reprogramadas. "Não sabemos", disse ela. Um dos motivos pelos quais os cientistas querem estudar todos os tipos de células-tronco, incluindo as embrionárias, é compreender o processo de reprogramação.

 
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